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Bachiana N 5

Na tentativa de limpar meu armário acabei por descobrir algumas preciosidades escondidas: uma foto em que apareço com a Ná e a Carol no p´´atio da PUC, fotos da minha primeira ida com o Ma na casa do meu irmão na praia, outro foto linda da minha mãe com a minha tia, diversos papéis estranhos, e muitas, muitas saudades. Com isso, fiquei pensando no fascínio do ser humano em manter baús, pastas, cofres, armários etc. Será que na tentativa de alcançar a imortalidade acabamos por criar espaços secretos para armazenar nossas memórias físicas, coisas que não podemos, ou nao queremos, guardar no fundo do cérebro? Ou será que o confinamento não é apenas um fragmento desorganizado da nossa frágil e tão cuidada individualidade?
Escondi cartas, revistas, diários, amores, e tudo o mais que pude guardar. E tamanha é, no momento, minha fascinação por baús que nao pude deixar de pensar: guardei todos esses achados que nao os lembrava mais, por preguiça de guardá-los em mim?
Quantas pesssoas neste exato momento não estarão abrindo um baú, ou, uma simples gaveta, guardando uma carta de amor, um testamento, uma foto da juventude, dinheiro ou quaisquer outras coisas que possam ser guardadas? Tomando a mim mesmo como exemplo, vejo que ao escrever isso, inconscientemente tenho a intenção de guardá-lo no servidor (?) do meu provedor e assim manter uma espécie de imortalidade sobre esse pensamento posto em palavras. E se assim for, será isso a prova da minha vontade de expressão, ou será somente uma busca pela imortalidade?


Escrito por V às 02h25
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Não se afobe

A maldição de fim de ano está mais próxima. Digo maldição pois se trata de uma época em que tudo parece coincidência ou erro. Olhamos para trás e todas as besteiras são desculpadas por um certo afeto estranho de "já passou". Mas não posso deixar de pensar: já passou mesmo? Quando é hora de reconhecer e quando é hoira de esquecer?
Ultimamente venho percebendo que tornei-me uma pessoa rancorosa. Seria preciso uma série de lobotomias para me fazer desculpar aqueles que em meu convívio estiveram, de certa forma, envolvidos por um laço de tristeza. Mas talvez eu esqueça logo. Um dia. Não hoje.
Mas, como todo fim de ano também é tempo de lembrar o que aconteceu de bom, e talvez isso seja, de fato, o que se deve lembrar nessa época tão frívola. Para mim, foi mais um ano com o Ma, conhecer e fortalecer a amizade com trÊs seres eternamente lindos - Carol, Bia e Cami -, descobrir o cd Gal a Todo Vapor e assim vislumbrar o melhor cd do ano, ou, a melhor descoberta pessoal-musical em anos, gastar no Alexandre, etc, etc.
No fim, o que se passou de ruim fica sempre em uma memória marginal à vida real. O que é ruim, ou aqueles que nao acrescentaram, mas, ao contrário, somente fizeram ou tiveram atos desagradáveis, sempre serão os esquecidos, ou, os desnecessários. Sempre restará a beleza, as amizades verdadeiras, os amores, os cds, os livros, o que é bom ficará calcado forever.

Para vocÊs que fizeram do meu ano valer a pena:

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Escrito por V às 13h59
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Vapor Barato

Fim de ano. Idéias mortas, vidas passadas, eternas lembranças do eterno dessasossego...quando parte o navio o que resta é apenas a lembrança nas espumas flutuantes.
Balanço de fim de ano é sempre a eternidade da questão: o que eu deixei de fazer? Os arrependimentos vêm em trotes bruscos. Nesse ano muito se passou. Se eu colocar esse ano em uma ótica pessimista, direi que foi desastroso. Se quiser parecer alegre, direi que poderia ter sido melhor. Mas não foi. Muito se passou. Afundei, ou melhor, afundamos. Como todo escorpião culpo o mundo e nao meu bolso; culpo a vida que molesta a vivência.
Talvez seja necessário admitir as pessoas que nao ajudaram, mas que, ao contrário, enfeitaram a queda com olhar cínico, ou, com falsidade exacerbada. Então esse meu primeiro post nesse novo blog vai para essas pessoas que no fundo sabem quem são....São elas, para elas que vão o meu elogio....
Para os meus amores fica somente a eterna paixão: Ma - minha paixão, meu amor.

De resto sobram as contas e as unhas que agarram as paredes da vida tentando alcançar alguma coisa.

Feliz 2006

Escrito por V às 23h22
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Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey

Minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu quero esquecê-la, eu preciso
Oh, minha grande
Ah, minha pequena
Oh, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, honey baby, ah


Tudo é tão fatal. O desespero,
Desamparo
Os perfumes
os perfumes
bebê-lo-ei
sentir
os perfumes
da brisa na janela
ao diáfanos

re-começo a escritura
Da letra dessa música
faço a inspiração de uma, duas, três, infinitas tentativas

Até



Escrito por V às 01h46
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