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ANTES DE LER O TEX|TO

ANtes de lerem o texto olhem os número. Era muito grande e por isso tive que dividí-lo.

Escrito por V às 22h04
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3

 

E por estou lhe escrevendo isso?

O motivo me é obscuro. Talvez seja por que quero por em palavras o que não consigo dizer. Mas estou tentando adjetivar um amor que, no próprio filme, não possui adjetivos. É como Graciliano escreveria. Os diálogos são curtos. Ennis se expressa somente com Jack. E o amor deles é uma questão de fé e por isso a complexibilidade do impossível. Tem-se fé apenas naquilo que não é consumado inteiramente. Se consumarmos Deus, perderemos a fé. E você é tão sonhador quanto eu. E sei que o filme tocará seus mais profundos sentimentos como os meus foram tocados. Agora, essa sensação estranha, a mesma de quando estamos apaixonados, é um estopim. Quero provocá-lo assim como estou provocado, mas creio que no fundo estou provocando-me mais do que a você que é cínico. Conforta-me saber que não o será quando enxergar o filme, pois tudo se passa sutilmente, provocantemente no silêncio, na ausência de trilha sonora, nos diálogos que são ditos pelos toques, pelos olhares, como quando Jack e Ennis se reencontram quatro anos depois e Jack, deitado com Ennis em seu peito, cheira o seu cabelo. O que muitas pessoas sentiram ao verem as Pontes de Madison ou Um Homem e Uma Mulher, está triplicado em mim. Não é apenas uma emoção. Quero negar isso. É um acontecimento. Se a indústria cinematográfica pudesse ser derrotada, seria com esse filme e não com as pretensões artísticas, com realismos exagerados, ou os efeitos especiais tão infantis. Esse filme é uma provocação para o próprio cinema, pois ele é simples, quase primitivo, e assim não percebemos intenções, máscaras, somente o enredo, as belas interpretações e o estouro ao ver um filme retratar o amor sem gêneros, sem panfletagem, ou qualquer tipo de política social que privilegia seres em classes, em gêneros e não como pessoas. Digo-lhe que minhas razões são muitas. Mais do que essas palavras conseguem expressar a você. Esse filme foi calcado em meus olhos, em meus órgãos internos como um punhal de sentimentos. Quero          que você sinta-se como estou sentindo-me agora. E o que  é mesmo o amor?  Jack e Ennis não dizem “eu te amo”. Percebemos nos olhares, nos abraços e no ápice quando Ennis descobre no armário de Jack a camisa suja de sangue que ele usou no dia em que partiram de Brokeback Mountain. Quero que  você sinta o que o filme quer que você sinta: que o amor, essa palavras que inventaram para descrever aquele sentimento tão ingênuo, brutal, misterioso está em nosso espírito como um primitivo e somente assim, isso que nos fez antes de tudo, que está em nossas almas, antes que pudéssemos enxergarmo-nos uns aos outros por óticas errôneas, obscuras, morais, religiosas, somente esse sentimento pode romper, mesmo na tela de uma sala de cinema, os olhos e penetrar em nosso sangue, ativando nosso lado primeiro, o que nos fez seres humanos. É disso que o filme se alimenta para sua arte. Não de intenções, mas de sentimento, já que também pode o sentimento ser uma forma de arte. E é o amor de Jack e Ennis, tão violento, que faz aguçar essa espécie de catarse: o amor de que fala o filme é esse amor primeiro que não escolhe o que nós separamos, e por isso esse amor atinge as duas pessoas mais improváveis de experimentarem esse amor. E a conclusão dessa improbabilidade é que eles podem e puderam, mesmo na ficção, amarem-se sem se denominarem em qualquer rótulo. E somente algo tão portentoso como o amor entre Jack e Ennis poderia germinar na natureza, na paisagem mais rústica de uma sociedade igualmente rústica. A natureza que os envolve é também a natureza que os desperta. Na solidão, sem o mundo exterior, Jack e Ennis, puderam se ver sem a idéia que tinham a respeito do amor. E é por isso que a  palavra amor não lhes cabe. O filme não dialoga no verbete, mas sim no olhar. Acredito que a locação do filme não é trivial, apenas um artifício para uma bela fotografia. É pela rústica natureza de Brokeback Mountain, que nasce o fruto verdadeiro de amor entre Jack e Ennis e não foi precioso dizer “amor”, já que essa invenção, essa palavra, não consegue comportar aquilo que sentimos quando dizemos amor.

 

É uma provocação. É uma soberba que estou tentando convencê-lo a ter consigo.

Por isso digo-lhe: é uma provação.

 

 

Sinceramente,

 

Vitor”

Escrito por V às 22h03
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2

 

Disse-lhe que não se trata de uma história homossexual. É verdade. A história é sobre o encontro de duas almas que, colocadas em corpos corrompidos por suas formações, se amam e por si próprias têm a consciência do proibido. O amor do filme é um amor proibido, mas também um amor sublime, justamente por não ser inteiramente consumado pelo cotidiano que, você sabe, pode corromper o amor. Na vida de Jack e Ennis, resta apenas o amor entre os dois. Confesso-lhe que meus olhos faiscavam de emoção todas as vezes que Jack e Ennis encontravam-se. Foi soberbo. E essa é a primeira vez que o cinema retratou o amor entre homens sem pieguices, sem estereótipos, sem a visão que se tem, num consciente coletivo, sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. È uma provocação isso que estou lhe dizendo, pois sei que no fundo é isso o que eu e o que você quer, o que todos nós queremos: um amor impossível, sublime, mas também perene. Jack e  Ennis sabem disso e com essa arma fria que se sustentam por vinte anos. Mas Ennis é um homem que não sabe dividir afetos. Separa-se da mulher para viver de seu amor por Jack, e sua vida resume-se a apenas sentir e viver esse amor por Jack.



Escrito por V às 22h02
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1

 

Querido Vitor,

 

 

Isto não é um texto. Não é tampouco uma crítica, ou, uma carta. Aqui coloco na tentativa de dar à escrita o silêncio que as palavras abafa. O mesmo silêncio que me foi dado na presença de uma película, que é a razão dos sentimentos múltiplos que percorrem meu corpo, permitindo que eu provoque minhas crenças nas artes. Sim, isto é uma provocação, ou, uma tentativa de dizer a você o quanto estou perturbado. O motivo é cento e vinte minutos que passei ontem sentado na sala de cinema, mas que foram minutos saboreados pelo pulsar do meu coração. Eu quero passar esse meu estado catártico a você , já que em mim o sentimento pungente que tanto me perturba parece querer fugir pelos olhos. Não se trata apenas de um filme. Nem de um motivo cinematográfico. Esqueçamos a academia, a crítica cínica, ou, os olhos que viram, mas apenas enxergaram um filme e não a vida.

A emoção toma-me de súbito quando fecho meus olhos e lembro-me da história que, assim como o amor, é simples e singela. Não posso descrever o enredo sintetizando um amor homossexual, pois não seria verdadeiro. Tão pouco poderia, erroneamente, falar sobre romance. E por fim, não discutirei cinema. Dois seres, que se apaixonam em uma ida a trabalho para as montanhas Brokeback. Na solidão, no silêncio dos diálogos, ditos pelos olhares de canto e na permanência de um estado influenciado pela natureza, esses dois seres desenvolvem um amor. Digo-lhe a cena mais bonita: Jack twist está sentado cortando um alimento, enquanto que Ennis Del Mar banha-se agachado na beira do rio. A câmera focaliza o rosto de Jack e, talvez em uma das melhores interpretações que já vi, Jack segura acorrenta seus olhos para não virá-los para Ennis. Sim, a cena é linda. Na verdade, o filme todo é uma filigrana cinematográfica. Não se trata apenas do sistema, mas também da comunhão entre a vida e a ficção em uma perfeita simbiose entre o sublime e a perfeição. E mesmo na violência do ato de amor entre Jack e Ennis, há uma beleza rara, primeira, selvagem como a própria natureza que os enlaça. A agressividade dá-se pelo amor e isso é como uma pressão: quanto mais se pressiona, maior é a explosão. Mas são os signos que ditarão o amor entre Jack e Ennis. O filme todo é repleto deles, alguns indecifráveis. Deve-se colocar os olhos voltados para a alma, para a sensação e para a criação dos afetados que esse filme provoca.

 



Escrito por V às 22h02
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Depois de uma semana sem fazer absolutamente nada, amanhã continuarei a não fazer nada...

Isso é o que eu chamo de uma semana produtiva....

 



Escrito por V às 23h25
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Uma semana na praia com sol, chuva, mar, peixadas, cervejas, cervejas e mais cervejas....

 



Escrito por V às 14h43
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